@PHDTHESIS{ 2025:1538917179, title = {Vozes feirenses: a avaliação social da variante tu em Feira de Santana - Ba}, year = {2025}, url = "http://tede2.uefs.br:8080/handle/tede/2008", abstract = "Esta pesquisa envolve a avaliação social subjetiva consciente e inconsciente dos falantes feirenses frente ao uso do pronome tu com morfologia verbal de terceira pessoa do singular, na cidade de Feira de Santana, e tem como objetivo geral uma proposta inovadora – um estudo da variação e mudança sob uma abordagem qualitativa para medir os correlatos subjetivos (ou latentes), com ênfase para o problema da avaliação, numa perspectiva teórico-metodológica interdisciplinar (numa interface entre os estudos da Sociolinguística Laboviana e a teoria Linguística Sistêmica-Funcional) com orientação tanto para a função interpessoal da linguagem e para o sistema de Valoração (Martin; White, 2005) quanto para os pressupostos teóricos e metodológicos propostos pela Sociolinguística Variacionista (Labov, 2008[1972]). O corpus desta pesquisa se caracteriza em oito depoimentos, inéditos, de falantes feirenses dos quais foram analisados quatro – dois homens e duas mulheres, no contexto das três faixas-etárias –, reunidos por meio de entrevista semiestruturada do tipo documentador e informante (DID), contendo seis questões de natureza sociocultural, e duração média de 30min. Excluem-se desta pesquisa os docentes e discentes do curso de Letras, em razão da proximidade com o tema em estudo. Os dados recebem tratamento qualitativo e, nessa perspectiva, a atenção se dá para a avaliação social subjetiva, para a consciência linguística e sociolinguística, para o prestígio encoberto (covert prestige) e o prestígio explícito (overt prestige) (Labov, 1982[1966]; Labov, 2008[1972]) com base na análise da Valoração, que envolve a identificação e classificação dos recursos de expressão de sentimentos e valores negativos e positivos – Atitude; dos recursos de posicionamento do (a) falante – Comprometimento; e dos recursos ampliação/atenuação da atitude e do comprometimento do (a) falante – Gradação (Martin; White, 2005). A proposta metodológica (sistema de Valoração) se mostrou produtiva para a identificação dos correlatos subjetivos, envolvidos na avaliação social da variante tu, expressos tanto explicitamente quanto implicitamente pelos feirenses, que, sob alto nível de consciência linguística e sociolinguística, confirmam o uso desta variante, sob julgamentos ancorados em princípios éticos e morais compartilhados socialmente, com os quais avaliaram comportamentos e formas de interação considerados apropriados ou não no contexto feirense. A partir do elevado grau de consciência linguística e social destes feirenses, foi possível alcançar os prestígios explícitos e os prestígios implícitos, encobertos, direcionados à variante tu. A consciência que os falantes demonstram sobre suas práticas e pertencimentos reforça a centralidade da linguagem como instrumento de representação simbólica da vida social, e não apenas como reflexo dela. A análise das percepções e atitudes dos falantes feirenses evidencia a existência de normas linguísticas implícitas e mostra como a escolha pronominal funciona como marcador de distinções sociais e identitárias na comunidade. Embora a variante tu apresente traços de estigmatização em contextos mais formais, o fenômeno não se configura como homogêneo; trata-se antes de um marcador social ativo, mobilizado pelos informantes na negociação de sentidos e pertencimentos. Os resultados reforçam a necessidade de compreender a linguagem como prática social, indissociável dos valores culturais e identitários que a estruturam. Os achados revelam forte potencial de aplicação no campo da Sociolinguística Educacional ao evidenciar como variações linguísticas e fatores sociais e culturais impactam o contexto escolar. A didatização do conhecimento sociolinguístico mostra-se fundamental para que práticas pedagógicas valorizem a diversidade, combatam o preconceito linguístico e promovam uma educação linguística crítica. Assim, esta pesquisa contribui para aprofundar a relação entre variação linguística e ambiente escolar, orientar docentes no diálogo entre norma padrão e variedades populares e fortalecer iniciativas voltadas para uma educação mais inclusiva e socialmente justa.", publisher = {Universidade Estadual de Feira de Santana}, scholl = {Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos}, note = {DEPARTAMENTO DE LETRAS E ARTES} }