@MASTERSTHESIS{ 2025:1654356962, title = {O cocar, a coroa e o chapéu de couro: desdobramentos da história social linguística da família Kariri nos Sertões-Norte da Bahia}, year = {2025}, url = "http://tede2.uefs.br:8080/handle/tede/2081", abstract = "Este trabalho investiga a história social linguística dos sertões-norte da Bahia, com foco nas línguas da família Kariri e nos efeitos do contato linguístico entre essas línguas e o português. A pesquisa parte da premissa de que os sertões, frequentemente retratados sob a ótica da escassez, constituem um território denso em diversidade étnica e linguística, marcado por (re)existências históricas. A imposição do português como língua da coroa, ao longo do processo colonizador, não se deu sobre o vazio, mas no encontro com as línguas do cocar. Com base na metáfora das “línguas do cocar” e do “chapéu de couro”, a pesquisa propõe compreender como as línguas indígenas foram silenciadas, transformadas ou integradas ao português disseminado nos sertões-norte da Bahia, sem empreender uma investigação estrutural, mas sim sobre os traços expressivos resultantes desse contato linguístico. A metodologia articula os fundamentos da História Social Linguística, que relaciona as mudanças linguísticas aos contextos históricos e sociais, com aportes da Etnolinguística, voltada à análise das relações entre língua, cultura e cosmologia dos povos indígenas. O estudo adota uma abordagem qualitativa, apoiando-se em revisão bibliográfica, através de análise de dados históricos e linguísticos sobre a presença Kariri na região. A pesquisa tem entre seus objetivos mapear vestígios linguísticos de base Kariri no português disseminado nos sertões do norte baiano, reafirmando o caráter multilíngue da região e confrontando narrativas de homogeneização cultural. Ao tensionar as representações político-ideológicas hegemônicas que descrevem os sertões como espaços monolíticos e desvinculados da presença indígena, o estudo amplia o debate sobre a permanência e a vivacidade das línguas indígenas no Nordeste, com ênfase na região norte da Bahia. Desse modo, reconhece-se que os sertões-norte da Bahia configuram-se como territórios historicamente marcados pela presença indígena, cujas experiências sociolinguísticas, longe de extintas, persistem na constituição das identidades regionais e nas práticas de linguagem, desafiando discursos hegemônicos de apagamento e uniformização cultural.", publisher = {Universidade Estadual de Feira de Santana}, scholl = {Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos}, note = {DEPARTAMENTO DE LETRAS E ARTES} }