@MASTERSTHESIS{ 2020:1440103368, title = {"Mulher também trai": o discurso da traição em letras de músicas sertanejas}, year = {2020}, url = "http://tede2.uefs.br:8080/handle/tede/2170", abstract = "A traição é vista de modo diferente pelos sujeitos, ou seja, a depender da posição discursiva que ele ocupa, este termo pode produzir efeitos de sentidos diversos. O modo de ver a infidelidade é construído com base nas ideologias que conduzem a forma de pensar e agir dos sujeitos. A presente pesquisa visa analisar os modos de funcionamento do discurso da traição em letras de músicas sertanejas lançadas no período de 2015 a 2018. E, a partir das posiçõessujeito homem/mulher que enunciam nas letras das músicas, refletir sobre a ideia de que a traição envolve aspectos que tocam nas questões de gênero, sendo um acontecimento que pode significar de diferentes modos para os sujeitos. As relações de gênero são construídas socialmente e se materializam nas práticas cotidianas. Nesse contexto, a música é uma prática discursiva, que deixa marcas do funcionamento da ideologia ao interpelar os sujeitos que nela são construídos. A música materializa ideologias, contribui para a construção da representação dos sujeitos e apresenta, de forma simbólica, posições sociais para o homem e para a mulher. A partir da análise da referida materialidade podemos problematizar sobre o discurso da traição na sociedade, refletindo como o sujeito, inserido em determinadas formações discursivas, produz sentidos e é atravessado por ideologias, através de discursos reproduzidos e/ou silenciados. Este trabalho fundamenta-se na Análise de Discurso Pêcheutiana, tendo como base os postulados teóricos de Pêcheux (2014a; 2014b; 2015) e Orlandi (2007; 2015). Os pressupostos básicos dessa teoria são importantes para este estudo, entre eles destacamos: a noção de ideologia, formações discursivas e ideológicas e as formações imaginárias que permeiam os dizeres sobre a traição e os já-ditos que compõem o interdiscurso. Também utilizamos autores que abordam a traição em seus trabalhos, como Goldenberg (1990, 2006, 2010), Pasini (2010) e Pittman (1994). A partir da seleção do corpus, observamos as sequências discursivas e aplicamos o dispositivo teórico-metodológico da Análise de Discurso Pêcheutiana. As análises indicam que os discursos sobre a traição geram sentidos sobre o que é trair e ser traído, enfocando modos de traição em relação a mulheres e homens. Os sujeitos discursivos são interpelados pelas formações ideológicas e filiados a formações discursivas diversas. Isso acontece porque as formações imaginárias que os sujeitos têm do seu lugar e do lugar do seu interlocutor interferem diretamente nas condições de produção do discurso e nos efeitos de sentido. Assim, as imagens que as mulheres e os homens têm dos sujeitos que traem e deles mesmos enquanto sujeitos traidores divergem a depender da posição que ocupam e da formação discursiva à qual estão filiados. Observamos também que as noções de masculinidade e feminilidade moldam as práticas dos sujeitos e conduzem suas ações, estabelecendo, de certo modo, uma relação hierárquica entre homens e mulheres, um controle de corpos e uma construção social de comportamentos aceitos ou não.", publisher = {Universidade Estadual de Feira de Santana}, scholl = {Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos}, note = {DEPARTAMENTO DE LETRAS E ARTES} }