@MASTERSTHESIS{ 2026:179756648, title = {A construção quer dizer nas variedades do português brasileiro, moçambicano e angolano: estágios e trajetórias de gramaticalização}, year = {2026}, url = "http://tede2.uefs.br:8080/handle/tede/2184", abstract = "Nesta pesquisa, investiga-se a construção quer dizer nas variedades do português brasileiro, moçambicano e angolano, sob a perspectiva da gramaticalização. O trabalho tem como objetivo analisar os usos de quer dizer, considerando diferentes estágios do processo de gramaticalização e sua atuação no domínio discursivo-pragmático. Especificamente, busca-se identificar e descrever os usos de quer dizer nas três variedades analisadas, estabelecer critérios para a distinção entre usos menos e mais gramaticalizados, propor uma sistematização dos estágios de gramaticalização da construção, examinar a influência do contexto morfossintático na emergência e no funcionamento dos usos gramaticalizados e comparar as variedades em foco, a fim de identificar convergências e divergências no percurso funcional da construção. Os fundamentos teóricos da pesquisa estão ancorados no Funcionalismo linguístico de orientação norte-americana, mais precisamente na abordagem da gramaticalização tal como concebida por Hopper e Traugott (2003 [1993]), Martelotta, Votre e Cezario (1996) e Gonçalves et al. (2007), dentre outros, e também em trabalhos sobre a gramaticalização de quer dizer, a saber: Dal Mago (2001), Carneiro (2006), Gonçalves et al. (2007), Carvalho e Silva (2018), Almeida (2022), Almeida e Carvalho (2025), dentre outros. Nesse sentido, defende-se um processo de mudança gradual, sensível ao uso e condicionado por fatores discursivo-pragmáticos. Do ponto de vista metodológico, adota-se uma abordagem quali-quantitativa (Lacerda, 2016). Nesse caso, o viés qualitativo possibilita a descrição funcional dos usos da construção quer dizer e o viés quantitativo mensura a distribuição e recorrência nas variedades analisadas, o que confere maior rigor à análise comparativa dos dados. Para a descrição do fenômeno, utiliza-se como corpus, nesta pesquisa, um conjunto de textos extraídos do Corpus do Português (Davies; Ferreira, 2006), que contempla dados das variedades brasileira, moçambicana e angolana. Foram levantadas e analisadas, nesta pesquisa, 300 ocorrências de quer dizer em cada variedade do português examinada, o que possibilita a comparação dos usos e dos diferentes estágios de gramaticalização identificados. A análise evidenciou a multifuncionalidade de quer dizer, com a identificação de diferentes usos, além de considerar fatores morfossintáticos e discursivos relevantes para a identificação dos estágios de gramaticalização da referida construção. Ao adotar uma abordagem comparativa, o estudo pretende contribuir para a compreensão dos processos de gramaticalização no português pluricêntrico, uma vez que a língua portuguesa possui mais de um centro de referência, evidenciando trajetórias não homogêneas na constituição de construções discursivas das variedades aqui examinadas. Os resultados indicam que os usos mais gramaticalizados da construção quer dizer tendem a ocorrer em contextos sem sujeito, sem a presença da conjunção que e em sequências argumentativas. Observa-se que, embora as três variedades apresentem trajetórias semelhantes de gramaticalização, esse processo se mostra ligeiramente mais avançado nas variedades africanas em comparação com a variedade brasileira.", publisher = {Universidade Estadual de Feira de Santana}, scholl = {Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos}, note = {DEPARTAMENTO DE LETRAS E ARTES} }